Carteira de Identidade Nacional: vale a pena trocar o RG agora?
Todo mundo já ouviu que “o RG vai acabar”. Aí vem a dúvida: preciso correr pra trocar? Meu RG velho vai deixar de valer amanhã? Vou ser barrada no aeroporto, no banco, no cartório? Eu também fiquei com essa pulga atrás da orelha até ir atrás das regras de verdade. A resposta curta é: não precisa correr. A resposta longa é que, para algumas pessoas, trocar agora faz bastante sentido.
O que é a Carteira de Identidade Nacional
A Carteira de Identidade Nacional, a CIN, é o novo documento de identidade do Brasil. A grande mudança é que o número do documento passa a ser o CPF. Acaba aquela história de cada estado ter um número de RG diferente, e de uma pessoa poder ter RGs em estados diferentes.
Além disso, a CIN tem:
- Um QR Code que permite conferir a autenticidade do documento.
- Padrão de documento de viagem aceito em alguns países do Mercosul.
- Versão digital no aplicativo gov.br, com a mesma validade da versão em papel.
A emissão continua sendo feita pelos órgãos de identificação de cada estado, como os institutos de identificação, Poupatempo ou postos equivalentes.
Até quando o RG antigo vale
O decreto que criou a CIN deu dez anos de transição. O RG no modelo antigo continua válido até fevereiro de 2032. Até lá, ele segue sendo aceito normalmente.
Tem uma exceção importante: para quem já tinha 60 anos ou mais quando o decreto entrou em vigor, em 2022, o RG antigo tem validade indeterminada. Não precisa trocar nunca, se não quiser.
Também não existe obrigação de trocar antes de 2032. Você pode pedir a CIN a qualquer momento.
Quanto custa
A primeira via da CIN é gratuita. Você só paga se precisar de uma segunda via por perda ou extravio. Mesmo nesse caso, há isenção para quem teve o documento furtado ou roubado e apresenta boletim de ocorrência, e para quem comprova não ter condições de pagar.
Quanto tempo a CIN vale
Diferente do RG antigo, que não tinha prazo, a CIN tem validade de acordo com a idade de quem emite:
- De 0 a 12 anos incompletos: 5 anos.
- De 12 a 59 anos: 10 anos.
- A partir de 60 anos: validade indeterminada.
Quem deveria trocar agora
Para a maioria das pessoas, não há pressa. Mas trocar agora faz sentido se você:
- Tem um RG muito antigo, com foto de criança ou documento desgastado, que já gera desconfiança na hora de se identificar.
- Tem RG em mais de um estado e quer acabar com essa confusão.
- Recebe benefício social. Para quem recebe e ainda não tem biometria cadastrada, a CIN passa a ser exigida a partir de janeiro de 2027. Para quem já tem biometria, a partir de janeiro de 2028.
- Quer o documento no celular. A versão digital da CIN fica no app gov.br e resolve muita situação do dia a dia.
- Vai mesmo precisar de um RG novo, por perda ou mudança de nome. Se é para emitir, já emita a CIN.
Como pedir a CIN
O processo varia um pouco de estado para estado, mas o roteiro geral é este:
- Confira se o seu CPF está com os dados corretos. Como o CPF vira o número do documento, qualquer erro ali vai junto para a CIN.
- Agende o atendimento no órgão de identificação do seu estado, normalmente pelo site oficial do governo estadual.
- Leve a certidão de nascimento ou de casamento original ou cópia autenticada.
- No atendimento, você tira foto, coleta digitais e assina.
- Retire o documento físico no prazo informado. A versão digital aparece depois no app gov.br.
Caso concreto: o RG de 1998
Imagine uma mulher de 41 anos com o RG emitido aos 13 anos. A foto não parece mais com ela e, toda vez que vai a um cartório, alguém pede outro documento com foto.
Semana 1: ela confere o CPF no site da Receita, está tudo certo. Entra no site do órgão de identificação do estado e agenda o primeiro horário disponível, para dali a 12 dias.
Dia do atendimento: leva a certidão de casamento atualizada. Foto, digitais, assinatura. Uns 30 minutos.
Alguns dias depois: retira a CIN em papel. Pouco depois, a carteira aparece no app gov.br.
A parte imperfeita: ela levou primeiro a certidão de nascimento, mas como era casada, o órgão pediu a de casamento, que traz o nome atual. Precisou remarcar. Se você é casada ou divorciada, leve a certidão de casamento atualizada desde o começo.
O que não funciona
1. Correr para trocar achando que o RG vence amanhã. Ele vale até 2032, e para quem tem mais de 60 anos não vence. Troque quando fizer sentido para você.
2. Pagar despachante ou site para “agendar a nova identidade”. O agendamento é gratuito e feito no site oficial do seu estado. Muitos sites cobram por um serviço que não existe.
3. Ir sem conferir o CPF. Se o CPF estiver errado, o erro vai parar no documento novo. Corrija antes.
4. Levar só o RG antigo. O documento base é a certidão de nascimento ou casamento. Sem ela, o atendimento não sai.
Próximo passo: três ações para essa semana
Descubra se você está no grupo que deveria trocar agora: RG muito antigo, RG em mais de um estado, benefício social ou mudança de nome.
Se estiver, confira os dados do CPF no site da Receita antes de tudo.
Depois, entre no site oficial do órgão de identificação do seu estado e agende. Separe a certidão de nascimento ou casamento atualizada e leve no dia.