Passaporte roubado ou perdido: o que fazer antes de tirar outro
Você abre a gaveta onde sempre guarda o passaporte e ele não está lá. Ou pior: abre a mochila no meio da viagem e ele sumiu, junto com a carteira. A primeira reação é pânico. A segunda costuma ser correr para agendar um passaporte novo. E é aí que muita gente erra a ordem e acaba pagando o dobro.
Perder o passaporte e ter o passaporte roubado parecem a mesma coisa, mas para a Polícia Federal não são. E essa diferença muda o valor que você paga.
Roubo ou perda: a diferença que dobra a taxa
A taxa do passaporte comum é de R$ 257,25. Esse é o valor que você paga para tirar um novo depois de um roubo ou furto, desde que apresente o boletim de ocorrência.
Já no caso de perda, extravio, dano ou destruição, a taxa sobe para R$ 514,50. É o dobro. E isso vale também para quem perdeu o passaporte fora do país.
Ou seja: se o passaporte foi roubado ou furtado, registre o boletim de ocorrência. Sem ele, o pedido é tratado como perda e a taxa dobra. Mas atenção: o boletim tem que contar o que aconteceu de verdade. Registrar roubo quando foi perda é crime.
O primeiro passo: comunicar a ocorrência
Antes de pensar no passaporte novo, o antigo precisa ser cancelado. Isso protege você: um passaporte válido nas mãos de outra pessoa pode ser usado em fraude.
- Roubo ou furto: registre o boletim de ocorrência na polícia, que pode ser feito pela delegacia online do seu estado. Guarde o documento.
- Perda, dano ou destruição: preencha e imprima o formulário de Comunicação de Ocorrência disponível no site da Polícia Federal. Ele é entregue no dia do atendimento.
Um detalhe que pega muita gente: depois de comunicado, o passaporte é cancelado e não volta a valer. Se você achar o documento uma semana depois, no bolso de um casaco, ele não serve mais para viajar.
Tirando o passaporte novo no Brasil
O processo é o mesmo de um passaporte comum, com o documento da ocorrência a mais:
- Preencha o formulário de solicitação no site da Polícia Federal.
- Gere e pague a GRU com a taxa correta para o seu caso.
- Agende o atendimento.
- Leve documento de identidade, CPF, título de eleitor com a situação em dia, certificado de reservista para homens de 18 a 45 anos, o comprovante de pagamento e o boletim de ocorrência ou a Comunicação de Ocorrência.
Se você tem uma viagem marcada em cima da hora, existe o passaporte de emergência, mas ele só é concedido em situações específicas e comprovadas. Não conte com ele como plano principal.
Perdeu no exterior: o que fazer
Aqui o roteiro muda um pouco e a ordem importa muito.
- Registre a ocorrência na polícia local. Se o documento estiver em outro idioma, a PF pode exigir tradução juramentada depois, para reduzir a taxa.
- Procure o consulado ou a embaixada do Brasil na cidade ou no país onde você está.
- Peça a orientação certa para o seu caso. Dependendo do tempo que você ainda tem de viagem, o consulado pode emitir um passaporte novo ou uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), documento que serve só para voltar para casa.
Uma dica de quem já viu isso acontecer: tenha sempre uma foto ou cópia digital da página de dados do passaporte, salva no e-mail ou na nuvem. Isso agiliza muito o atendimento no consulado.
Caso concreto: a mochila no metrô
Imagine uma estudante que mora em São Paulo e tem o passaporte furtado junto com a mochila no metrô, três semanas antes de uma viagem.
Dia 1, à noite: registra o boletim de ocorrência na delegacia online, descrevendo o furto e listando o passaporte entre os itens levados.
Dia 2: preenche o formulário da PF, gera a GRU de R$ 257,25, paga e agenda o primeiro horário disponível.
Dia 9: vai ao atendimento com RG, CPF, título, comprovante de pagamento e boletim de ocorrência impresso.
Alguns dias depois: recebe o aviso de que o passaporte está pronto e retira.
A parte imperfeita: o título de eleitor dela tinha uma multa antiga de ausência, e por pouco o atendimento não travou. Ela pagou por Pix no e-Título dois dias antes, por precaução. Se você vai tirar passaporte, confira a situação eleitoral antes.
O que não funciona
1. Agendar o passaporte novo antes de comunicar a ocorrência. Sem boletim ou comunicação, o atendimento não segue. Você só perde o horário.
2. Pagar a taxa de perda quando foi roubo. Se houve roubo ou furto, o boletim reduz a taxa à metade. Vale os minutos na delegacia online.
3. Guardar o passaporte “achado” depois de comunicar. Ele está cancelado. Viajar com ele pode dar problema sério na imigração.
4. Pagar a sites que prometem “agilizar passaporte”. Todo o processo é feito no site da Polícia Federal. Sites intermediários cobram por formulários que você preenche sozinho em minutos.
Próximo passo: três ações para essa semana
Se o passaporte foi roubado ou furtado, registre o boletim de ocorrência hoje. Se foi perdido, preencha a Comunicação de Ocorrência no site da PF.
Confira o título de eleitor e o CPF antes de agendar. Pendências nesses documentos travam o atendimento.
Gere a GRU com a taxa certa para o seu caso, pague e agende. E quando o passaporte novo chegar, salve uma cópia da página de dados na nuvem. Se acontecer de novo, você vai agradecer.