O que levar no dia da eleição: documentos, colinha e o que é proibido
Toda eleição é a mesma correria: na manhã de domingo, alguém da família procura o título de papel pela casa inteira, certo de que sem ele não vota. Spoiler: o título de papel não é obrigatório há anos. O que é obrigatório é outra coisa, e quem não sabe acaba voltando para casa sem votar.
Com o 1º turno marcado para 4 de outubro, vale deixar isso claro antes.
O que é obrigatório: documento oficial com foto
Para votar, você precisa provar quem é. Servem documentos oficiais com foto, como:
- RG ou a nova Carteira de Identidade Nacional.
- Carteira Nacional de Habilitação, inclusive a digital.
- Passaporte.
- Carteira de trabalho.
- Carteira de identidade profissional, como as de conselhos de classe.
- Certificado de reservista.
Certidão de nascimento ou de casamento não serve para votar, porque não tem foto.
E o e-Título?
O e-Título só substitui o documento com foto se você já fez a biometria e a sua foto aparece no app. Se o app não mostra foto, leve um documento oficial com foto junto.
O e-Título também ajuda com outras coisas: mostra seu local de votação e permite justificar a ausência no dia, se você estiver fora do seu domicílio eleitoral.
Documento vencido, rasgado ou digital
Uma dúvida comum é se o documento precisa estar dentro da validade. Para votar, o que importa é que ele permita identificar você. Por isso, documentos vencidos, como uma CNH com validade expirada, costumam ser aceitos pelos mesários.
Já documento muito danificado, com foto apagada ou rasgado, pode ser recusado. Se o seu RG está nesse estado, leve outro documento com foto como reserva.
Versões digitais oficiais, como a CNH digital ou a Carteira de Identidade Nacional no app gov.br, também servem, desde que sejam abertas no aplicativo oficial na frente do mesário. Print de tela não vale.
A colinha é permitida (e recomendada)
Você pode levar um papel com os números dos seus candidatos. Em eleição geral, como a de 2026, são vários cargos na mesma urna: deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente. Errar ou esquecer um número é comum, e a colinha resolve.
O que não pode é usar o celular na cabine para consultar números.
Como montar uma colinha que funciona
Parece bobagem, mas uma colinha bem feita deixa a votação muito mais rápida e tranquila. Eu faço sempre assim:
- Escreva na ordem da urna, de cima para baixo: deputado federal, deputado estadual, as duas vagas de senador, governador e presidente.
- Coloque o número e o nome de cada candidato. O nome ajuda a conferir a foto que aparece na tela.
- Use papel, e não o celular. O celular não pode entrar na cabine.
- Confira os números em fonte oficial, como o site de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral. Material de campanha pode ter erro de impressão.
Se você não quiser votar em ninguém para algum cargo, pode votar em branco ou anular, digitando um número que não corresponde a nenhum candidato. As duas opções não contam como votos válidos.
O comprovante de votação
Depois de votar, o mesário pode entregar o comprovante de votação, um papel pequeno que muita gente joga fora. Guarde ao menos até ter certeza de que o seu título está em dia. A informação de que você votou também aparece depois no e-Título e no histórico do TSE.
O que é proibido na cabine
Na cabine de votação, é proibido entrar com celular, máquina fotográfica, filmadora ou qualquer equipamento que registre o voto. O celular fica com o mesário enquanto você vota e é devolvido depois.
Também é proibido fazer propaganda no local de votação, como distribuir santinho ou pedir voto. Vestir camiseta ou usar adesivo do seu candidato, de forma individual e silenciosa, é permitido.
A ordem dos cargos na urna
Em 2026 a urna pede votos para vários cargos, um depois do outro. A ordem é: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador (primeira vaga), senador (segunda vaga), governador e presidente. Em 2026 o Senado renova dois terços das cadeiras, então cada estado elege dois senadores e você vota duas vezes para esse cargo, em candidatos diferentes.
Organize a sua colinha nessa ordem. Para deputado, o número tem mais dígitos. Para cada vaga de senador, três. Para governador e presidente, dois. Se quiser votar só na legenda do partido para deputado, basta digitar os dois primeiros números.
Se errar, aperte CORRIGE antes de confirmar. Depois do CONFIRMA, o voto daquele cargo está registrado.
Caso concreto: o pai sem documento com foto
Imagine um homem de 65 anos que só tem um RG muito antigo, guardado num lugar que ele não lembra.
Uma semana antes: a filha pergunta se ele tem documento com foto. Ele acha que o título resolve. Ela explica que não.
Dois dias depois: ele encontra a CNH, vencida há alguns anos.
No dia: ele vota com a CNH. Para votar, o documento vale mesmo vencido, desde que permita identificar o eleitor.
A parte imperfeita: a foto da CNH era antiga e o mesário demorou um pouco para conferir. Se o seu documento for muito antigo, leve mais de um.
Eleitores com deficiência e mobilidade reduzida
A Justiça Eleitoral tem regras para facilitar o voto de quem precisa de apoio. Algumas que vale conhecer:
- Prioridade na fila para idosos, gestantes, lactantes, pessoas com deficiência e pessoas com criança de colo.
- Acompanhante de confiança na cabine, para eleitores com deficiência que precisem de ajuda, informando ao presidente da mesa.
- Urna com teclas em braile e recurso de áudio, com fone de ouvido fornecido pela seção.
- Seções acessíveis, para quem pediu a adaptação no cadastro dentro do prazo.
Se o local não tiver acessibilidade adequada, informe o presidente da mesa. Ele registra a ocorrência e pode buscar uma solução no próprio local.
Roupa, bebida e comportamento no local
Você pode ir com a roupa que quiser, inclusive com a cor ou o adesivo do seu candidato, desde que de forma individual e silenciosa. O que não pode é fazer campanha: pedir voto, distribuir material ou fazer manifestação coletiva.
Em muitos estados há a chamada lei seca no dia da eleição, que proíbe a venda de bebida alcoólica por um período. A regra é definida pela Secretaria de Segurança de cada estado. Confira a do seu.
E lembre: brigas, filmagens dentro da seção e tentativa de identificar o voto de outra pessoa podem virar caso de polícia. O clima no local de votação é de tranquilidade, e todo mundo ganha com isso.
O que não funciona
1. Ir só com o título de papel. Ele não tem foto e não substitui o documento.
2. Contar com o e-Título sem foto. Se o app não mostra sua foto, leve documento.
3. Tirar foto do voto. É proibido e pode virar problema com a Justiça Eleitoral.
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Dúvidas que aparecem depois
Posso levar meu filho pequeno para a cabine? Crianças pequenas podem acompanhar os pais, desde que não interfiram no voto.
Posso votar de boné ou óculos escuros? O mesário pode pedir que você retire acessórios para conferir sua identidade.
E se a biometria não reconhecer minha digital? O mesário confere sua identidade pelo documento e libera a urna. Você vota normalmente.
Esqueci o documento em casa e estou na fila. E agora? Sem documento oficial com foto, você não vota. Se der tempo, volte para buscar. A votação vai até as 17h, horário de Brasília.
Na seção: o passo a passo
Para quem vota pela primeira vez, ou está nervoso, o caminho na seção é sempre o mesmo:
- Entre na fila da sua seção.
- Entregue o documento com foto ao mesário.
- Coloque o dedo no leitor de biometria, se pedido. Se não reconhecer, o mesário libera pelo documento.
- Assine o caderno de votação, quando for o caso.
- Deixe o celular com o mesário e vá para a cabine.
- Vote em cada cargo, conferindo nome e foto antes de apertar CONFIRMA.
- Ao ouvir o som final e ver a palavra FIM, pegue o celular e o documento de volta.
Tudo leva poucos minutos.
Próximo passo: três ações para essa semana
Separe o documento oficial com foto que você vai usar e deixe junto com as chaves.
Abra o e-Título e veja se a sua foto aparece. Aproveite e confira o local de votação.
Monte sua colinha com os números dos candidatos, em papel. Na cabine, é só seguir a ordem da urna.