Viajar para o Mercosul só com RG: o que vale e o que pode dar errado
Buenos Aires, Montevidéu, Santiago: dá para conhecer um monte de lugar aqui do lado sem passaporte. Mas eu já vi gente ser barrada no embarque com o RG na mão, e quase sempre por um detalhe que ninguém tinha avisado. O documento existe, só que precisa estar do jeito certo.
Para onde dá para ir só com documento de identidade
Por acordos regionais, brasileiros podem entrar como turistas em países do Mercosul e associados usando documento de identidade, sem passaporte. Entre eles estão Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador. As regras podem mudar, então confira a orientação do Itamaraty para o seu destino antes de viajar.
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Quais documentos valem
- RG emitido pelas secretarias de segurança dos estados, em bom estado.
- Carteira de Identidade Nacional (CIN), o novo modelo.
- Passaporte, claro, que vale sempre.
Não valem para essa finalidade:
- CNH, mesmo sendo documento com foto.
- Carteiras de conselhos profissionais.
- Carteira de trabalho.
- Documentos digitais só no celular, sem a versão física.
Os detalhes que fazem o brasileiro ser barrado
RG muito antigo ou desgastado. Plastificado com bolha, rasgado, foto irreconhecível: a companhia aérea ou a imigração pode recusar. Alguns países e companhias recomendam documento com menos de dez anos de emissão.
Nome diferente do bilhete. Se você casou e mudou de nome, e o RG ainda tem o nome antigo, pode haver problema.
Menores de idade. Crianças e adolescentes precisam de documento próprio e, em muitos casos, de autorização de viagem.
País por país: o que observar
Cada destino tem suas particularidades, e as regras podem mudar. Antes de viajar, confira a página do Itamaraty sobre o país e o site da companhia aérea. Alguns pontos que costumam aparecer:
- Argentina e Uruguai: destinos mais comuns com RG. O cuidado principal é o estado e a idade do documento.
- Chile: também aceita documento de identidade de brasileiros, com atenção às regras da companhia aérea para o embarque.
- Paraguai: muito visitado por terra. Faça o controle migratório na fronteira, mesmo em viagens curtas.
- Peru, Bolívia, Colômbia e Equador: aceitam documento de identidade para turismo, mas confira exigências de saúde, como a vacina contra febre amarela, em algumas regiões.
Em qualquer caso, se você tem passaporte válido, levar o passaporte é a opção mais segura.
O que a imigração pode pedir além do documento
Entrar com RG não significa entrar sem nenhuma pergunta. Como em qualquer fronteira, o agente de imigração pode pedir:
- Comprovante de hospedagem, como reserva de hotel ou endereço de quem vai receber você.
- Passagem de volta ou de saída do país.
- Comprovação de recursos para a viagem, em alguns casos.
- Seguro-viagem, que alguns países exigem ou recomendam fortemente.
Tenha tudo isso no celular e, se possível, impresso. Não é sempre que pedem, mas quando pedem, quem não tem pode ter a entrada dificultada.
O cartão de entrada e o comprovante
Quem entra só com documento de identidade costuma receber um comprovante de entrada, que pode ser um papel ou um registro eletrônico. Em alguns países, esse comprovante é pedido na saída. Guarde-o junto com o documento até voltar para o Brasil. Perder pode atrasar a saída.
Viagem por terra
Muita gente vai de carro ou de ônibus para Argentina, Uruguai e Paraguai. As regras de documento são as mesmas, mas há cuidados extras:
- Pare no posto de fronteira para fazer o controle migratório, mesmo que a passagem pareça livre. Entrar sem registro pode gerar problema na volta.
- Se for de carro, leve o documento do veículo e verifique as exigências de seguro do país de destino.
- Se o carro não for seu, leve autorização do proprietário.
Nome de casada e documentos diferentes
Um problema comum: a passagem foi comprada com o nome de casada, mas o RG ainda tem o nome de solteira, ou o contrário. Na hora do embarque, a companhia aérea compara o nome do bilhete com o documento. Se não bater, pode recusar.
Antes de comprar, decida qual documento vai usar e escreva o nome exatamente como está nele. Se o RG está desatualizado, emita a CIN com o nome atual.
Caso concreto: o RG de 2009
Imagine um casal indo para Montevidéu. Ela tem passaporte. Ele, só um RG emitido em 2009, com a foto da adolescência.
Um mês antes: ele confere o documento e acha que, por ser antigo e gasto, pode dar problema.
Duas semanas antes: emite a Carteira de Identidade Nacional, gratuita na primeira via.
No embarque: apresenta a CIN e passa sem problema.
A parte imperfeita: a primeira data de atendimento disponível era para dali a três semanas. Ele só conseguiu antes porque olhou outro posto da cidade. Não deixe para a última hora.
Documentos para crianças e adolescentes
Menores de idade também podem viajar com documento de identidade aos países do Mercosul, mas as exigências são maiores:
- Documento de identidade próprio da criança, com foto, ou passaporte.
- Certidão de nascimento, para comprovar o vínculo com quem está acompanhando.
- Autorização de viagem, quando a criança viaja com só um dos pais, com terceiros ou sozinha.
Para crianças muito pequenas, o RG pode ficar desatualizado rápido, porque a foto não corresponde mais ao rosto. Nesse caso, considere emitir um documento novo antes da viagem.
Seguro-viagem e saúde
Mesmo em países vizinhos, uma ida ao hospital pode sair cara. Alguns países do Mercosul têm acordos de atendimento, mas nem sempre cobrem tudo. Avalie contratar um seguro-viagem, que costuma ser barato para viagens curtas, e leve uma cópia da apólice.
Se você toma medicação contínua, leve a receita médica e os remédios na bagagem de mão, em quantidade suficiente para a viagem.
Dinheiro e cartões
Avise o seu banco que vai viajar, para o cartão não ser bloqueado por segurança. Leve uma quantia em dinheiro local para as primeiras despesas e confira as tarifas do cartão no exterior.
O que não funciona
1. Levar só a CNH. Ela não vale como documento de viagem.
2. Confiar só no documento digital. Leve o físico.
3. Ir com RG em mau estado. O risco de ser barrado é real.
Dúvidas que aparecem depois
Posso usar a CIN digital no celular? Para viagem internacional, leve o documento físico. A versão digital pode não ser aceita pela companhia aérea ou pela imigração.
Meu RG é de outro estado. Tem problema? Não. O que importa é ser um documento de identidade civil válido e em bom estado.
Quanto tempo posso ficar? Como turista, normalmente até 90 dias, mas o prazo pode variar por país. Confira antes.
E se eu perder o RG lá fora? Procure o consulado brasileiro, que orienta sobre o documento para voltar ao Brasil.
Resumo
- Brasileiros podem ir a vários países do Mercosul e associados só com documento de identidade.
- Valem o RG emitido pelos estados e a Carteira de Identidade Nacional, em bom estado.
- CNH, carteira de trabalho e documentos só digitais não servem.
- RG antigo ou danificado é o principal motivo de problema.
- O nome na passagem precisa ser igual ao do documento.
- Menores precisam de documento próprio e, em muitos casos, de autorização.
Próximo passo: três ações antes de comprar a passagem
Confira se o país de destino aceita documento de identidade para brasileiros.
Olhe o estado e a idade do seu RG. Se estiver ruim, emita a CIN.
Garanta que o nome na passagem é exatamente o do documento que você vai apresentar.